Me senti como se estivesse oca por dentro. Oca de palavras,
oca de simplesmente... falar.
Estando cheia de mim mesma, me senti por gloriosas vezes,
vazia de tudo.
Me reprimi dentro de um submundo, que eu nem se quer
possuía.
Chocante!
Cavei com minhas próprias mãos, buracos profundos de espanto
e reclusão, omitindo-me até mesmo: De mim mesma!
Um atordoamento de indignações sufocou-me por me ver tão vulnerável...
à tantas coisas materiais e passageiras. Me senti sendo alvo de minhas próprias
alusões. Me senti avulsa e desnecessária frente a meu próprio eu.
Por um instante tentei parar. Tentei me colidir a milhares
de sensações estrondosas que se opuseram em meu interior, pensando que talvez, em uma
colisão houvessem quebras. Engano meu!
Senti como se estivesse em uma fusão. Fusão de pensamentos
remotos e sentimentos utópicos.
Em deterioráveis momentos me vi como antítese de tudo que um
dia ousei ser.
Gritei, chorei e senti uma horrível dor.
Pensei, ouvi, senti; e por fim me recoloquei.
Me recompus em 'nova forma', em 'novos tempos', em 'novo
aspecto'.
Mudanças!
Me senti cheia, sábia e renovada por inúmeras frações de
segundos, que duraram por uma vida inteira.
Me aceitei da forma em que me REcoloquei. Mas não fui aceita
da forma em que me viram.
Fui incompreendida por tantas vezes... que tornou-se até
desnecessário relembrar.
Me fiz por completa usando meus próprios passos e
pensamentos, aprendendo comigo apenas, tudo aquilo que em vida me propus a
buscar.
Descobri com toda trapaça e afeto, que minha busca pela
'perfeição', está unicamente dentro de um único corpo móvel.
Dentro de um único corpo; por vez
instável, por vez contínuo...
Corpo esse, capaz de me acrescentar e modificar até quando for possível, até quando durar.
Até quando EU durar.


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