quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Aspectos


Me senti como se estivesse oca por dentro. Oca de palavras, oca de simplesmente... falar.
Estando cheia de mim mesma, me senti por gloriosas vezes, vazia de tudo.
Amontoei em mim, células desnecessárias de matérias não recicláveis e surtos repentinos.
Me reprimi dentro de um submundo, que eu nem se quer possuía.
Chocante!
Cavei com minhas próprias mãos, buracos profundos de espanto e reclusão, omitindo-me até mesmo: De mim mesma!
Um atordoamento de indignações sufocou-me por me ver tão vulnerável... à tantas coisas materiais e passageiras. Me senti sendo alvo de minhas próprias alusões. Me senti avulsa e desnecessária frente a meu próprio eu.

Por um instante tentei parar. Tentei me colidir a milhares de sensações estrondosas que se opuseram em meu interior, pensando que talvez, em uma colisão houvessem quebras. Engano meu!
Senti como se estivesse em uma fusão. Fusão de pensamentos remotos e sentimentos utópicos.
Em deterioráveis momentos me vi como antítese de tudo que um dia ousei ser.
Gritei, chorei e senti uma horrível dor.
Pensei, ouvi, senti; e por fim me recoloquei.

Me recompus em 'nova forma', em 'novos tempos', em 'novo aspecto'.
Mudanças!
Me senti cheia, sábia e renovada por inúmeras frações de segundos, que duraram por uma vida inteira.
Me aceitei da forma em que me REcoloquei. Mas não fui aceita da forma em que me viram.
Fui incompreendida por tantas vezes... que tornou-se até desnecessário relembrar.
Me fiz por completa usando meus próprios passos e pensamentos, aprendendo comigo apenas, tudo aquilo que em vida me propus a buscar.

O que outros lhe tiram, você pode sim reencontrar! Tudo está em essência.

Descobri com toda trapaça e afeto, que minha busca pela 'perfeição', está unicamente dentro de um único corpo móvel.
Dentro de um único corpo; por vez instável, por vez contínuo...
Corpo esse, capaz de me acrescentar e modificar até quando for possível, até quando durar.
Até quando EU durar.

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